

por Wesley Silas
A história política de Gurupi revela um obstáculo persistente: a dificuldade de transformar mandatos de vereador em cadeiras na Assembleia Legislativa. Atualmente, a pré-candidatura do vereador Colemar da Saborelle (Podemos) e a do presidente da Casa, Ivanilson Marinho (PL), enfrentam um cenário de fragmentação interna que ameaça as chances da “Capital da Amizade” ampliar sua bancada estadual.
O Paradigma da divisão
Historicamente, o salto da Câmara Municipal para o Palácio Araguaia é raro. Após o longo período de influência de Longuimar Barros — eleito vereador em 1982 e deputado em 1988 e 1994, assim como o ex-deputado Ângelo Agnolin que iniciou sua trajetória no Legislativo Municipal de Gurupi no período de 1993 a 1996 e ainda se elegeu como deputado federal em 2011 — a cidade amargou um jejum quebrado apenas recentemente por Eduardo Fortes (Republicanos). No entanto, o “fenômeno Fortes” parece não ter sido suficiente para convencer o parlamento local sobre a eficácia da unidade.
Em entrevista ao Portal AtitudeTO, Colemar da Saborelle lamentou a postura dos colegas. Segundo o parlamentar, a maioria dos gabinetes da Câmara de Gurupi já está comprometida com deputados que buscam a reeleição, em vez de priorizar projetos que nasceram dentro do próprio município.
”Encontramos uma grande dificuldade. No período pré-eleitoral, não conseguimos atrair o apoio de outros vereadores para um projeto focado na representatividade da nossa cidade. Isso não é segredo para ninguém”, afirmou Saborelle.
O Cálculo político desperdiçado
Os números evidenciam o potencial de uma eventual coalizão. Composta por 17 vereadores, a Câmara de Gurupi detém um capital político que, se unificado, poderia garantir uma votação expressiva.

Cálculos internos indicam que, se o desempenho eleitoral médio de cada parlamentar fosse transferido para uma candidatura local, o grupo somaria, no mínimo, 15 mil votos iniciais. Esse montante seria o alicerce necessário para garantir uma cadeira na Assembleia, diminuindo a dependência de votos externos.
O localismo vencido pelos acordos externos
A resistência dos vereadores em apoiar nomes como Ivanilson Marinho e Colemar da Saborelle expõe uma ferida aberta na política gurupiense: a prevalência dos acordos de cúpula e dos compromissos com lideranças já estabelecidas em detrimento do fortalecimento regional.
Ao manterem seus gabinetes a serviço de deputados de outras bases, os parlamentares locais perpetuam a dependência política da cidade. A falta de unidade não é apenas uma questão de afinidade pessoal, mas um erro estratégico que dilui o poder de barganha de Gurupi. Enquanto o parlamento municipal agir como um arquipélago de interesses isolados, a cidade continuará a ver seus representantes naturais “morrerem na praia”, incapazes de romper a barreira do Legislativo Estadual por falta de suporte dentro da própria casa.
Confira a entrevista completa com Colemar da Saborelle:
Atitude Tocantins
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