

Por Redação
Palmas alcançou, em janeiro de 2026, o menor tempo de trabalho já registrado na série histórica para aquisição da cesta básica de alimentos. O dado, levantado pelo Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NAEPE), indica que mesmo com a volta da inflação no mês, o trabalhador precisou de 93 horas e 54 minutos para comprar os itens essenciais — o melhor resultado desde o início do levantamento.
Cesta básica em Palmas (jan/2026)
- Jornada mínima: 93h54min (menor da série histórica)
- Valor da cesta: de
R$ 660,89(dez/2025) paraR$ 691,76(jan/2026) - Variação no mês: +4,67%
- Pressão de alta: tomate (principal), além de feijão, carne e farinha
- Fatores que sustentam a melhora: deflação acumulada em 2025 (-4,17%) e reajuste real do salário mínimo
Inflação volta após cinco meses, mas não impede avanço

A cesta básica voltou a subir após cinco meses consecutivos de queda, impulsionada principalmente:
- pela forte alta do tomate,
- e por aumentos moderados no feijão, carne bovina e farinha.
O valor total passou de R$ 660,89 para R$ 691,76, um acréscimo de 4,67%.
Apesar disso, o impacto da inflação foi compensado pela deflação acumulada ao longo de 2025 e pelo reajuste real do salário mínimo em 2026.
“Mínimo com ganho real” significa que o salário mínimo aumentou acima da inflação no período.
Na prática:
- Inflação é o quanto os preços sobem.
- Se o salário sobe igual à inflação, o trabalhador mantém o poder de compra.
- Se o salário sobe menos que a inflação, o trabalhador perde poder de compra.
- Se o salário sobe mais que a inflação, há ganho real: dá para comprar mais coisas com o salário, não apenas “empatar” com os preços.
👉 Exemplo simples:
- Inflação no ano: 4%
- Reajuste do mínimo: 7%
- Ganho real: aproximadamente 3% (porque o salário cresceu além do aumento médio dos preços)
Por que o trabalhador está precisando de menos horas?
O economista Autenir de Rezende, diretor-geral do NAEPE e professor do IFTO, explica que a análise do cenário exige olhar para além da variação mensal de preços.
Segundo ele, o recorde positivo resulta de dois fatores combinados:
- Deflação acumulada da cesta básica em 2025: queda de 4,17% no ano em Palmas.
- Reajuste do salário mínimo acima da inflação nacional: aumento que elevou o poder de compra e compensou altas pontuais de alguns alimentos.
Rezende destaca:
“O resultado é reflexo de preços mais baixos ao longo de 2025 e do ganho real de renda em janeiro. Isso permitiu que o trabalhador alcançasse o menor tempo da série histórica para comprar a cesta básica.”
Mudança histórica na renda do trabalhador
Os dados mostram a dimensão da evolução recente.
- Dezembro de 2022: eram necessárias 121 horas e 48 minutos de trabalho.
- Janeiro de 2026: o tempo caiu para 93 horas e 54 minutos, o menor já registrado.
Ou seja, em pouco mais de três anos, o trabalhador palmense reduziu em quase 28 horas o esforço necessário para garantir os alimentos essenciais.
Itens que ajudaram a segurar a cesta
Mesmo com a inflação de janeiro, a maior parte dos produtos manteve trajetória de queda, o que evitou um impacto maior no bolso do consumidor. Entre os itens que contribuíram para amortecer o aumento estão:
- açúcar
- leite
- banana
- margarina
- óleo de soja
- arroz
- café
Esses recuos explicam por que, mesmo em mês de inflação, o tempo de trabalho apresentou melhora histórica.
O resultado reforça um movimento importante na economia de Palmas: a combinação entre deflação acumulada, reajuste real do salário mínimo e queda de preços em itens essenciais elevou o poder de compra do trabalhador. Mesmo com o retorno da inflação no início de 2026, a capital tocantinense vive o melhor momento da série histórica no acesso à cesta básica, indicador direto de bem-estar econômico.
Atitude Tocantins
Ao desenvolvermos as seções de Agronegócio, Cidades, Opinião, Social, Cultura, Educação e Esporte, Meio Ambiente e Política procuramos atender a necessidade do público em ser informado sobre os acontecimentos locais, regionais ou próximos à comunidade.





