
Araguaína enfrenta crescimento acelerado da dengue. Em apenas nove dias, os casos confirmados passaram de 502 para 923, enquanto o número de notificações saltou para 2.114. O cenário coloca 85% dos bairros sob risco de transmissão ativa, com destaque para Araguaína Sul, Monte Sinai, São João, Vila Azul e Nova Araguaína.Até o dia 12 eram 1.418 casos notificados, sendo 502 confirmados, 378 descartados e 538 aguardando resultado laboratorial. Já no dia 20, o total de notificações saltou para 2.114, com 923 confirmações, 563 casos descartados e 628 aguardando exames. O aumento de mais de 400 confirmações em pouco mais de uma semana evidencia a intensificação da transmissão.O número de óbitos confirmados pela doença permanece em três e outras duas mortes suspeitas estão sendo investigadas.Outro fator preocupante é o número de recusas às visitas dos agentes de combate às endemias (ACE). Somente neste ano, já foram registradas 55 recusas. Nos anos anteriores, no mesmo período, a média era de 12. A resistência dificulta o bloqueio de focos do mosquito, já que em uma única residência já foram encontrados mais de 40 criadouros do Aedes aegypti, influenciando diretamente no aumento dos casos em toda a vizinhança.A secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, reforça o apelo à população. “Receber o agente é um ato de proteção coletiva. Muitas vezes, o morador acredita que não há risco, mas identificamos focos em locais inesperados. Uma única casa pode colocar toda a rua em perigo”, destaca.A população pode contribuir denunciando possíveis focos pelos telefones (63) 3411-7125 ou pelo WhatsApp (63) 99131-7597.Comitê da Saúde coordena o enfrentamentoDiante do cenário alarmante, a Secretaria Municipal da Saúde instalou a Sala de Situação da Dengue, com reuniões semanais para monitoramento contínuo dos dados e definição de estratégias emergenciais. O comitê é formado por representantes da Vigilância Epidemiológica, Vigilância Entomológica, Controle Químico, Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), Vigilância Sanitária, Departamento Municipal de Postura e Edificações (DEMUPE), Conselho Municipal de Saúde, Meio Ambiente e Atenção Primária.Os dados apresentados pelo Comitê demonstram a dimensão da transmissão no município: 85% dos bairros de Araguaína registram casos prováveis de dengue e 73% apresentam transmissão ativa. Entre os bairros com maior incidência estão Araguaína Sul, Monte Sinai, São João, Vila Azul, Nova Araguaína, Setor Santa Terezinha, Setor Oeste, Setor Carajás e Raizal.As ações de campo seguem intensificadas. Até o momento, foram 605 depósitos tratados, 1.878 depósitos eliminados e 1.263 focos eliminados. Somente nos mutirões realizados entre os dias 12 e 19, foram eliminados 701 focos, enquanto os bloqueios resultaram na eliminação de 562 focos. Também foram recolhidos 200 pneus, considerados pontos críticos para proliferação do mosquito.A atuação integrada busca reduzir os impactos da epidemia com medidas técnicas e coordenadas, garantindo assistência aos pacientes e intensificação do combate ao mosquito.Fumacê em açãoEntre as estratégias adotadas, o carro fumacê está percorrendo os bairros com maior incidência de casos e notificações. A aplicação do inseticida ocorre em três ciclos, com intervalo de cinco dias entre cada etapa, garantindo o alcance dos mosquitos adultos que emergem após a primeira pulverização.Entre os dias 12 e 19 de fevereiro, o bloqueio químico com UBV registrou 19 imóveis notificados, 58 quarteirões trabalhados e 1.320 imóveis borrifados. Desde o início das atividades do UBV em Araguaína, já foram trabalhados 2.037 quarteirões, com 48.500 imóveis alcançados, representando 52% das atividades previstas concluídas. As aplicações são realizadas ao amanhecer e ao entardecer, das 5h às 8h e das 17h às 20h, horários de maior atividade das fêmeas do mosquito e melhores condições para dispersão do produto.A Prefeitura reforça que a participação da população é determinante. Eliminar água parada e permitir a entrada dos agentes são atitudes simples, mas que podem frear o crescimento alarmante da dengue em Araguaína.





