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    Bayer quer recolocar Monsoy no centro da estratégia do mercado de soja

    cristianenobertoDe cristianenoberto9 de março de 2026Nenhum comentário7 minutos lidos
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    A Bayer quer recolocar a Monsoy no centro de sua estratégia para ganhar capilaridade e retomar participação no mercado brasileiro de soja. A marca voltou a receber atenção comercial depois de anos sem lançamentos e será peça-chave para ampliar a chegada das variedades ao produtor por meio dos multiplicadores de sementes. “Ao longo dos últimos anos, por várias decisões estratégicas da empresa, a gente não esteve atuando com lançamentos comerciais […] estamos de volta, a gente voltou em 2021 com o lançamento Intacta 2 e a gente está numa retomada agora de crescimento de mercado e de oferecimento ao produtor de variedades que façam sentido para ele, com uma grande capacidade de competição produtiva e atendendo aquelas demandas de manejo”, afirmou a líder de melhoramento de soja Sul da Bayer, Julia Morosini. Segundo ela, a retomada passa diretamente pela Monsoy porque é a marca que permite à companhia escalar a distribuição por meio da rede de multiplicadores, figura que a especialista classificou como central na cadeia da soja. A Monsoy é a marca usada pela companhia para ampliar a presença comercial.A marca foi herdada pela Bayer após a compra da Monsanto em 2018. Já a Agroeste, outra marca da empresa, funciona em um sistema mais verticalizado, com produção interna controlada pela própria Bayer. “A gente tem duas grandes marcas hoje de trabalho, que é a Monsoy e a Agroeste. Agroeste é uma marca de soja interna, ou seja, a gente tem volume de produção de semente tudo controlado internamente por nós. E a gente tem a Monsoy, que é através necessariamente dos multiplicadores”, explicou. Esses multiplicadores funcionam como elo entre a pesquisa e o produtor final. Segundo Morosini, eles testam as variedades antes da expansão em escala e ajudam a disseminar os materiais que têm melhor desempenho no campo. “Essa variedade vai ser testada dentro dos multiplicadores. O multiplicador vai entender se aquele material faz sentido ou não […] se ele gostar do material, e se os produtores cujo cliente ele tem também gostarem, ele tem capacidade de fazer esse produto aumentar muito em volume”, disse. Centro de P&D em Coxilha A fala foi feita durante apresentação a jornalistas no centro de P&D (pesquisa e desenvolvimento) da Bayer em Coxilha, no norte gaúcho, que atende principalmente a chamada macro 1 da empresa, com foco na região Sul. De acordo com a companhia, a operação no município começou a ser estruturada em 2007, teve início operacional em 2009 e passou pela primeira fase de construção em 2010.  Em 2011, a unidade obteve a certificação CQB (Certificado de Qualidade em Biossegurança), que permite a condução de testes com materiais regulados em estágio anterior ao lançamento comercial. Em 2018, o local foi reinaugurado após expansão da estrutura e, em 2023, passou a operar dentro de um novo modelo organizacional da companhia. Hoje, a estação de Coxilha reúne cerca de 60 colaboradores entre efetivos, temporários e terceiros. A unidade tem cerca de 120 hectares, dos quais pouco mais de 100 hectares são usados em cultivos experimentais, considerando que parte da área é destinada à preservação ambiental. No local, a empresa conduz ensaios de produtividade, manejo agronômico, avaliação de doenças, testes regulados e áreas de observação voltadas à interação com clientes, revendas, consultores e multiplicadores. Dados e aceleração do melhoramento genético A empresa afirma que o centro gaúcho é estratégico não apenas para testar materiais adaptados ao Sul, mas também para capturar dados em diferentes ambientes produtivos.  Segundo a apresentação, a Bayer tem hoje mais de 170 localidades de avaliação no Brasil e trabalha com uma média de 80 mil pontos de dados por localidade, número que pretende dobrar até 2030 com uso de drones, satélites, automação e modelos de inteligência artificial. “Hoje, com um ano, a gente consegue já ter uma resolução muito boa da performance do material pelo local que ele está”, afirmou Morosini ao explicar como o ganho de dados acelerou o melhoramento. “A gente vinha trabalhando com um programa que levava de seis a sete anos de teste em campo […] hoje a gente sai de seis a sete anos para três a quatro anos com a mesma segurança de informação que a gente fazia antes”, destacou. Na prática, segundo a especialista, isso representa uma redução de três anos no ciclo de desenvolvimento até a chegada do material ao produtor. “Se surgir hoje um problema que a gente não tem hoje endereçado no programa, esse material vai chegar para o produtor três anos antes do que ele chegaria se a gente estivesse fazendo o processo como era feito até então”, disse. Desafios climáticos e novas variedades Morosini afirmou que a aceleração ganhou ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e dos efeitos recentes sobre o campo gaúcho. Ao comentar as enchentes de 2024, ela disse que os impactos sobre a agricultura foram “devastadores” e que muitos produtores ainda seguem descapitalizados. “Aquelas enchentes que aconteceram foram devastadoras para a agricultura no estado. Até hoje o produtor está sofrendo muito para voltar, está descapitalizado. […] O que a gente tem trabalhado é entender como trazer uma variedade que responda minimamente ao que ele precisa, para que o custo dele de produção, agora nesses próximos anos, seja o menor possível”, frisou. Morosini disse que, no caso da metade sul gaúcha, a Bayer já trabalha com programas direcionados para condições específicas de solo e sanidade.  Segundo ela, a empresa mira materiais mais estáveis para ambientes adversos, com atenção a doenças como macrophomina e fitóftora, apontadas como críticas na região. “O que a gente tem feito agora são programas direcionados para essas regiões. Então ele vai ter a oportunidade, em um futuro muito breve, de selecionar uma variedade que foi desenvolvida para a região dele”, disse. Em outro momento, afirmou que “este ano a gente vai ter variedades que atendem a essas condições específicas”. A empresa também vê espaço de expansão da soja em áreas já antropizadas no Sul. De acordo com Morosini, a metade sul do Rio Grande do Sul reúne cerca de 3 milhões de hectares com potencial de exploração agrícola maior, em uma dinâmica que mistura recuperação de áreas de pastagem degradada e avanço da tecnificação. “O principal apelo do produtor aqui, além da produtividade, é a estabilidade”, afirmou. “A gente quer variedades responsivas […] mas eu também quero uma variedade que segure o tranco em uma situação ruim”, continuou. Biotecnologia e inovação Na frente de biotecnologia, a Bayer disse que prepara a continuidade de sua plataforma de eventos para soja. Segundo Morosini, a companhia já opera com a Intacta 2 Xtend e trabalha no desenvolvimento da Intacta 5, prevista por ela para 2028, com ampliação do espectro de proteção para plantas daninhas e lagartas. “Quando a gente lança uma tecnologia […] essa que vai chegar em 2028, a gente começou a estudar isso há pelo menos 16 anos atrás”, afirmou. No centro de Coxilha, essa estratégia é apoiada por uma estrutura que reúne times de serviços agronômicos, biotecnologia, regulatório, testes de campo, fitossanidade e cientistas de soja e milho.  A proposta, segundo a companhia, é integrar diferentes áreas em torno de um único objetivo: encurtar a distância entre pesquisa, multiplicador e produtor final. “Como é que a gente filtra o que usa e o que não usa e o que faz sentido? É tendo o produtor no centro do processo. É ele que valida, é ele que dita, é ele que a gente tem que estar atento para entender o que a gente faz internamente em termos de pesquisa”, afirmou Morosini. A companhia informou ainda que investe mais de 2 bilhões de euros por ano globalmente em pesquisa e desenvolvimento, recursos destinados ao avanço de tecnologias em sementes, biotecnologia e soluções agrícolas. A jornalista viajou a Passo Fundo a convite da Bayer.

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