
A produção de biodiesel no Brasil pode aumentar em 1,5 bilhão de litros com um possível aumento da mistura de biodiesel no diesel de 15% (B15) para 17% (B17). Segundo estimativas de Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a produção anual poderia chegar a 11,5 bilhões de litros. Com esse possível aumento, a associação estima também que o incremento de empregos diretos no setor seria de 300 mil pessoas. Atualmente, a indústria de biodiesel gera 2,1 milhões de empregos. Questionado sobre a viabilidade da implementação do aumento ainda este ano, o presidente-executivo da Abiove, André Nassar, afirmou que o contexto de conflito no Oriente Médio é um atrativo para avançar nos testes. “O nosso pleito principal é: vamos aproveitar o momento para fazer os testes o mais rápido possível, em quatro a cinco meses. Então o governo pode decidir subir o teor quando quiser”, afirmou. Na avaliação do presidente-executivo, por ser um ano eleitoral, “dificilmente” haverá o aumento ainda em 2026. Para o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, o aumento é positivo, mas é preciso ser cauteloso e ouvir os estudos técnicos. “Assim como o álcool deu certo lá atrás, o biodiesel também está no caminho certo. O Ministério está junto ao setor; queremos que cada vez mais aumente a mistura. Isso virá, mas a velocidade será ditada pela responsabilidade dos estudos e do mercado.” Potencial econômico No discurso de criação da AliançaBiodiesel nesta quarta-feira (8), o ex-ministro da Agricultura e Pecuária e presidente do conselho administrativo da Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), Francisco Turra, destacou que esse aumento pode trazer impactos econômicos significativos. Segundo estimativas da aliança, a expectativa é que o aumento de 1% na mistura impacte a economia em R$ 6 bilhões. A AliançaBiodiesel é uma parceria entre a Abiove e a Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil) e tem, entre os principais objetivos, defender o aumento com base na Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento de 1% na mistura de biodiesel anualmente até 2030. Para Turra, basear o aumento da mistura nessa lei traz mais segurança e previsibilidade para os investimentos no setor, que atualmente “é referenciado em todo o mundo”. *Sob supervisão de João Nakamura





