

O PSD colocou dois tocantinenses no centro de sua estratégia para as eleições estaduais de 2026: Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais (natural de Gurupi), e Laurez Moreira (natural de Dueré), vice-governador do Tocantins. Apesar de ocuparem funções semelhantes, os dois representam caminhos opostos dentro da articulação nacional da sigla.
Por Wesley Silas
Em Minas, o ambiente político favorece o PSD. Mateus Simões, natural de Gurupi, mantém relação estável com o governador Romeu Zema (Novo), que cumpre o segundo mandato e não pode concorrer novamente ao cargo. Zema já sinalizou intenção de disputar a Presidência da República, o que o obrigaria a renunciar até abril de 2026. Caso isso ocorra, Simões assume o comando do estado e se torna automaticamente o nome mais forte para encabeçar a disputa mineira.
O vice mineiro se filiou ao PSD com apoio do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e trabalha para construir um palanque amplo. Ele tenta atrair Republicanos, Novo e União Brasil. Este último, no entanto, ainda mantém distância: dirigentes mineiros avaliaram que Simões se antecipou ao dizer que havia acordo consolidado, o que gerou ruídos e expôs a fragilidade dessa costura.

Enquanto Minas sinaliza continuidade, o Tocantins vive cenário completamente diferente. Laurez Moreira, também do PSD, rompeu politicamente com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e hoje ocupa o polo oposto ao titular do Palácio Araguaia. A relação desgastada cria um ambiente de disputa interna mais intensa e afeta diretamente as possibilidades de aliança para 2026.
O PSD tenta posicionar Laurez como caminho alternativo ao grupo governista, em um tabuleiro que inclui ainda o ex-senador Ataídes Oliveira (Novo) e a senadora Dorinha Seabra (União Brasil) e o deputado federal, Vicentinho Júnior (PP), ambos articulando pré-candidaturas. A tensão entre governador e vice acrescenta imprevisibilidade ao cenário tocantinense e exige do partido habilidade para evitar isolamento político.
A correlação entre os dois projetos estaduais revela o esforço nacional do PSD:

No TO, o PSD joga o “jogo do desafiante”: criar espaço próprio a partir de uma ruptura e tentar construir um novo polo.
- Em Minas, a sigla se ancora em um governo bem avaliado e tenta herdar a estrutura de Zema.
- No Tocantins, busca se diferenciar do atual grupo governista e construir narrativa de renovação.
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Relação vice ↔ governador
- MG: Relação estável e cooperativa entre Zema e Mateus Simões, com o vice visto como sucessor natural se houver renúncia.
- TO: Relação rompida e conflituosa entre Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira, o que transforma o vice em adversário interno do governo.
O ponto comum entre os dois movimentos é a aposta em quadros com origem no Tocantins. O partido tenta transformar esse laço regional — visto internamente como ativo político — em capital eleitoral em estados estratégicos.
Cenários políticos distintos
Ao apostar simultaneamente em continuidade em Minas e ruptura no Tocantins, o PSD testa sua capacidade de adaptação a cenários políticos distintos. O sucesso da estratégia depende da habilidade de equilibrar alianças, conter ruídos internos e transformar vices — geralmente figuras discretas — em protagonistas regionais.
O Portal Atitude segue acompanhando, com olhar técnico e crítico, os desdobramentos que envolvem dois dos nomes tocantinenses mais observados no xadrez político nacional.
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